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Lucro Presumido vs Lucro Real: Qual é Melhor para sua Empresa em 2026?

Junho de 2026 11 min de leitura Tributação · Planejamento
Comparativo entre Lucro Presumido e Lucro Real — regimes tributários para empresas

Sua empresa saiu do Simples Nacional — por excesso de faturamento, por atividade vedada ou por escolha estratégica — e agora precisa optar entre Lucro Presumido e Lucro Real. Qual escolher? A resposta errada pode custar dezenas de milhares de reais por ano em impostos pagos a mais. Neste guia, explicamos as diferenças, as alíquotas, as obrigações e como fazer a simulação correta para o seu negócio.

O que é o Lucro Presumido?

O Lucro Presumido é um regime simplificado de apuração do IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Em vez de calcular o lucro real com base na escrituração contábil completa, o Fisco aplica um percentual de presunção sobre a receita bruta — e tributa esse valor presumido como se fosse o lucro da empresa.

Pode optar pelo Lucro Presumido qualquer empresa com receita bruta de até R$ 78 milhões no ano-calendário anterior, desde que não esteja enquadrada nas hipóteses de obrigatoriedade do Lucro Real.

Percentuais de presunção do Lucro Presumido

O percentual de presunção varia conforme a atividade. São dois percentuais: um para IRPJ e outro para CSLL:

Atividade Presunção IRPJ Presunção CSLL
Comércio (revenda de mercadorias)8%12%
Indústria (fabricação)8%12%
Transporte de cargas8%12%
Serviços hospitalares / veterinários8%12%
Transporte de passageiros16%12%
Serviços em geral (consultoria, TI, contabilidade, advocacia, etc.)32%32%

Como funciona na prática: uma empresa de comércio com receita de R$ 100.000 no trimestre tem base de cálculo de R$ 8.000 para IRPJ (8% × R$ 100.000). Sobre essa base aplica-se a alíquota de 15% → IRPJ de R$ 1.200 no trimestre.

Alíquotas do IRPJ e CSLL no Lucro Presumido

A apuração do IRPJ e da CSLL é trimestral no Lucro Presumido (março, junho, setembro e dezembro). O PIS e a COFINS são mensais.

O que é o Lucro Real?

No Lucro Real, a empresa apura o IRPJ e a CSLL sobre o lucro líquido efetivo — o resultado contábil apurado na escrituração fiscal, com as adições e exclusões previstas na legislação. Se a empresa tiver prejuízo, não paga IRPJ nem CSLL naquele período.

O Lucro Real exige escrituração contábil rigorosa (Livro Diário, Razão, LALUR — Livro de Apuração do Lucro Real) e entrega do SPED Contábil (ECD) e do SPED Fiscal (ECF). É mais complexo, mas pode ser vantajoso para empresas com margem de lucro baixa ou com muitas despesas dedutíveis.

Quem é obrigado ao Lucro Real?

O Lucro Real é obrigatório para (art. 14 da Lei 9.718/98 e alterações):

Alíquotas no Lucro Real

A apuração pode ser trimestral (definitiva a cada trimestre) ou anual com estimativas mensais (recolhimento mensal por estimativa, com ajuste em 31/12). Empresas em fase de crescimento costumam preferir a apuração anual, pois se houver prejuízo no início do ano, pode compensar com o lucro posterior.

Comparativo geral: Lucro Presumido vs Lucro Real

Critério Lucro Presumido Lucro Real
Base de cálculo IRPJ/CSLLPercentual fixo sobre a receitaLucro líquido efetivo
PIS/COFINS0,65% + 3% (cumulativo, sem créditos)1,65% + 7,6% (não-cumulativo, com créditos)
Prejuízo fiscalPaga mesmo com prejuízoNão paga; pode compensar no futuro
Complexidade contábilMenorAlta (ECD, ECF, LALUR)
Obrigações acessóriasECF, DCTF, EFD-ContribuiçõesECD, ECF, DCTF Web, EFD-ICMS/IPI, EFD-Contribuições
Limite de receitaAté R$ 78 milhões/anoSem limite (obrigatório acima de R$ 78 mi)
Vantagem principalAlta margem real → paga menos impostoBaixa margem / prejuízo → paga menos imposto

Simulação prática: qual regime paga menos?

Para entender qual regime é mais vantajoso, é preciso simular considerando o tipo de atividade e a margem de lucro real da empresa. Veja dois exemplos:

Exemplo 1 — Empresa de serviços (consultoria) com margem alta

Receita anual: R$ 1.200.000 | Margem de lucro efetiva: 40% | Lucro líquido: R$ 480.000

Imposto Lucro Presumido Lucro Real
Base IRPJR$ 384.000 (32% da receita)R$ 480.000 (lucro real)
IRPJ (15% + adicional 10%)R$ 70.200R$ 84.000
CSLL (9%)R$ 34.560R$ 43.200
PIS + COFINSR$ 43.200 (3,65%)~R$ 55.200 (9,25% − créditos)
Total estimadoR$ 147.960R$ 182.400

Conclusão: com margem de 40% (acima da presunção de 32%), o Lucro Presumido é mais vantajoso — economia de aproximadamente R$ 34.000/ano neste exemplo.

Exemplo 2 — Empresa de comércio com margem baixa

Receita anual: R$ 2.400.000 | Margem de lucro efetiva: 4% | Lucro líquido: R$ 96.000

Imposto Lucro Presumido Lucro Real
Base IRPJR$ 192.000 (8% da receita)R$ 96.000 (lucro real)
IRPJ (15%)R$ 28.800R$ 14.400
CSLL (9%)R$ 25.920R$ 8.640
PIS + COFINSR$ 87.600 (3,65%)~R$ 74.400 (9,25% − créditos sobre compras)
Total estimadoR$ 142.320R$ 97.440

Conclusão: com margem de apenas 4% (muito abaixo da presunção de 8%) e alto volume de compras que geram créditos de PIS/COFINS, o Lucro Real é mais vantajoso — economia de aproximadamente R$ 45.000/ano neste exemplo.

A armadilha do PIS/COFINS no Lucro Real

Muitos empresários olham apenas para IRPJ e CSLL e ignoram o peso do PIS e da COFINS. No Lucro Real, as alíquotas sobem de 3,65% para 9,25% da receita — mas em contrapartida, a empresa tem direito a créditos sobre:

Para empresas com alto volume de compras (comércio atacadista, indústria), esses créditos podem tornar o Lucro Real muito mais eficiente. Para empresas de serviços com poucas despesas dedutíveis, o crédito é pequeno e o custo maior com PIS/COFINS pode pesar.

Obrigações acessórias: o custo oculto do Lucro Real

O Lucro Real exige mais entregáveis ao Fisco, o que aumenta o custo com contabilidade. As principais obrigações:

No Lucro Presumido, as principais obrigações são a ECF (anual), DCTF (mensal) e EFD-Contribuições — estrutura mais simples, que reduz o tempo do contador e, consequentemente, os honorários.

Quando escolher Lucro Presumido?

Quando escolher Lucro Real?

A regra de ouro do planejamento tributário

Não existe regime universalmente melhor. A escolha certa depende de três variáveis:

  1. Margem de lucro real — compará-la com o percentual de presunção da sua atividade
  2. Volume e natureza das compras — para calcular o impacto dos créditos de PIS/COFINS
  3. Perspectiva para o ano — crescimento, estabilidade ou risco de prejuízo

A análise deve ser feita pelo contador com base nas demonstrações financeiras dos últimos 12 meses e nas projeções para o próximo ano. A opção é irretratável — uma vez escolhido o regime em janeiro, ele vale para o ano inteiro.

Perguntas frequentes

Qual é o limite de faturamento para o Lucro Presumido?

Empresas com receita bruta de até R$ 78 milhões no ano-calendário anterior podem optar pelo Lucro Presumido. Acima desse valor, o Lucro Real é obrigatório.

Quem é obrigado a apurar pelo Lucro Real?

São obrigadas ao Lucro Real: empresas com receita acima de R$ 78 milhões, bancos e instituições financeiras, seguradoras, factoring, empresas com lucros do exterior e quem usa benefícios fiscais de isenção ou redução de IRPJ.

No Lucro Real, se a empresa tiver prejuízo paga imposto?

Não. Se o resultado for prejuízo, não há IRPJ nem CSLL a recolher naquele período. O prejuízo ainda pode ser compensado com lucros futuros, limitado a 30% do lucro de cada período subsequente.

Posso mudar de regime tributário a qualquer momento?

Não. A opção pelo Lucro Presumido ou Lucro Real é feita em janeiro de cada ano (ou na abertura da empresa) e é irretratável para todo o ano-calendário. Por isso, planejar antes de dezembro é fundamental.

Lucro Presumido tem mais vantagem para prestadores de serviço?

Depende da margem real. Para serviços com margem acima de 32%, o Presumido pode ser vantajoso, pois tributa sobre a base presumida de 32%. Para margens abaixo de 32%, o Lucro Real tributa menos porque incide sobre o lucro efetivo.

Qual regime é o ideal para a sua empresa em 2026?

A FinanServ Sul faz a simulação completa — Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real — e aponta qual gera a menor carga tributária para o seu negócio.

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